Saúde Mental

Terapia de Casal: o amor não existe mais?

23/03/2026 16:50 4 min

Ao longo da vida conhecemos diversas pessoas e escolhemos àquelas com quem vamos nos relacionar romanticamente. Para algumas pessoas, o amor cresce aos poucos, vem de uma amizade já antiga que se desenvolve em outro tipo de sentimento; para outras, o amor é como um estralo no interior do peito, borboletas no estômago e se acende, de repente, como uma fogueira. E assim como uma fogueira, ela apaga se não jogarmos mais lenha nova. E quando os casais falham em alimentar o fogo, começam as discussões, a falta de interesse, falta de comunicação, problemas que podem ir além da vida a dois e então optam pelo divórcio.

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Os relacionamentos evoluem como as pessoas e com as pessoas. Um encontro pode evoluir para um interesse em estar sempre juntos, assim como poderá ser formalizado e evoluir para um namoro, que poderá evoluir para um noivado e conseqüentemente, no casamento.  Só que temos a sensação de que, ao nos casarmos, parou por aí. Como se o casamento não passasse por tais transformações. Assim como um namoro pode evoluir para um noivado e assim, o noivado seria a "evolução" do namoro que "deu certo", o casamento passará por processos de evolução.

Mas como podemos identificar esse processo no casamento? Como identificar a necessidade de renovar os votos matrimoniais? Ou ainda, como identificar os motivos da crise conjugal e discutir se o divórcio é uma opção ao casal?

O casamento é um contrato com várias cláusulas, no qual o objeto de contrato nem sempre é percebido claramente. Não nos casamos pelo casamento em si, mas sim, pela expectativa de atingirmos outros objetivos a partir dele. Tem gente que casa para sair da casa dos pais, para ter filhos, para formar família, por estar apaixonado ou para não ficar sozinho. São inúmeros os motivos que levam ao casamento. Esses são objetos de contrato intrínsecos, que nem sempre nos damos conta que fazem parte do contrato.

Quando esses objetivos são alcançados ou ainda, quando há a impossibilidade e, consequentemente, a frustração por não tê-los atingido, o contrato é concluído. Ou seja, o contrato cumpre o seu objetivo. É aí que começa a crise conjugal: ressignificar a relação a partir de novos objetos contratuais: é encontrar algo em comum que ainda seja capaz de uní-los novamente. E na dificuldade em encontrar motivos para renovação do contrato matrimonial, o divórcio passa a ser uma possibilidade.

Quando discutimos sobre terapia de casal ou vemos o assunto sendo retratado na dramaturgia, observamos quase o mesmo cenário “caótico”: algum problema extraconjugal de força maior como traição, ou “a chama da paixão” cessou. O casal briga constantemente ou param totalmente de se falar, e então, é procurada a terapia de casal, muitas vezes de forma equivocada, com o intuito de achar o culpado ou ainda, com o objetivo de apontar os defeitos um do outro.

Lembrando que casamento é uma equação no qual A + B = C, ou seja, não é AB e sim C, o que significa outro elemento que não é nem A, nem B, mas a composição de ambos. E estamos em constante desenvolvimento, o que repercutirá em mudanças em C. Por isso, a sugestão para quem busca Terapia de Casal é que faça Psicoterapia Individual antes dessa experiência, para que seja possível identificar as demandas individuais que interferem no casamento. Só assim é possível renovar o contrato: quando cada um compreende seus motivos individuais para a continuidade do casamento e seus motivadores para a reconciliação, além de avaliar as reais possibilidades de alcançar as mudanças desejadas no relacionamento.

Contudo, é necessário compreender que a Terapia de Casal ou o terapeuta não estão lá para “salvar” seu casamento, mas sim, atuar como um facilitador para a comunicação de ambas as partes, entender o que está causando a insatisfação e buscar a melhor solução emocional. O casamento, tão pouco, pode ser “salvo” caso o casal não esteja disposto a entender, aceitar e fazer as mudanças necessárias para continuar com o relacionamento.

 

Texto: Carolina Kiuchi e Márcia Romeiro

 

Psicóloga Márcia Elizabeth S. Romeiro | CRP 06/107472

Márcia é Psicóloga e Psicopedagoga na Seminare Psicologia & Saúde. Atende crianças, adultos e casais.

Especialista em Psicologia Clínica – Terapia Comportamental e Cognitiva pela Universidade de São Paulo – USP,  Formação em Terapia Cognitiva Comportamental  pelo Centro de Estudos em Terapia Cognitiva Comportamental – CETCC e Especialista em Psicopedagogia pela Universidade Braz Cubas.